A Leveza de Estar Onde Eu Deveria Estar | Vedanta e Presença

Vedanta e Presença: A Jornada de Clareza Por Trás da Swaminah

Este relato faz parte do diário de bordo da fundadora da Swaminah. Para compreender a origem da nossa Engenharia de Presença, a união entre a filosofia de Vedanta e a Aromaterapia em nossa caminhada, convidamos você a conhecer [A Nossa Jornada]

Há 10 anos, num apartamento em Campinas, eu buscava com todas as forças um conhecimento capaz de estancar a confusão mental vinda de um sentimento de inadequação, como se a história do que deveria ser vivido não ressoava como meu caminho. Compreendia, ainda de forma confusa, que existia uma estrutura tradicional de discernimento capaz de conferir estabilidade à vida. O que eu não previa é que a assimilação dessa clareza exigiria atravessar circunstâncias sem qualquer tipo de anestesia emocional.

A resposta a essa busca manifestou-se na minha mudança para a Irlanda. Sem dominar o idioma local e distante das minhas referências de apoio, vivi dois anos de trabalho braçal e um o começo de um profundo mergulho interno. Sem interlocutores no meu convívio que conhecessem a tradição dos Vedas, dediquei-me a estudar mesmo que de forma isolada à distância com o acharya Jonas Masetti.

Desde a infância, a inclinação para o recolhimento e para a observação da vida de forma um pouco diferente do que o mundo dizia para ser vivido, esteve presente em mim. Durante muito tempo, a cultura ao meu redor me fez crer que essa sensibilidade era uma inadequação a ser corrigida, e não um indicador de vocação para o estudo da mente e da presença.

A Incubadora na Europa e o Estudo Sistemático de Vedanta

Em Portugal, enfrentei um severo período conturbado pela pandemia, e foi precisamente em 2019, que ingressei na minha primeira turma regular de estudo de Vedanta. Apenas anos mais tarde compreendi que todo aquele isolamento funcionava como uma incubadora necessária para a lapidação do meu discernimento.

Durante essa fase em solo europeu, enfrentei situações extremas que comprometeram temporariamente a minha mobilidade. Mesmo restrita a poucas horas diárias de atividade física para garantir o sustento, mantive o compromisso inegociável com a assimilação dos textos clássicos, com a prática dos mantras e com a disciplina pessoal.

Com o passar dos anos, o isolamento em Portugal e o rigor dos invernos com pouco calor e luz solar começaram a comprometer a minha resposta fisiológica e o equilíbrio do sistema nervoso. Mas somente após a vivência presencial profundamente transformadora de 15 dias ao lados do professor, que ficou claro que aquele ciclo havia se encerrado. Sem o discernimento proporcionado pelo estudo de Vedanta, a tendência seria interpretar a mudança de país como um fracasso de adaptação. No entanto, a visão clara da realidade permitiu reconhecer que se tratava do movimento natural de retorno às minhas raízes.

O Discernimento Intelectual e o Alinhamento Biológico

Foi após a vivência presencial de todos esses 6 anos de estudo, que voltei para Portugal com a força necessária para continuar minha caminhada, que entendi profundamente ser o caminho de volta as raízes. Pela quarta vez na vida, consolidamos o maior processo de desapego da nossa história,  desmantelar dez anos de vida na Europa para recomeçar com inteireza no meu país de origem. O estudo contínuo sob a orientação do professor Jonas Masetti revelou que a busca por estabilidade não é um evento abstrato, mas um aprendizado diário de clareza e presença.

O grande aprendizado dessa trajetória foi compreender que a mente precisa de suporte no corpo. Quando o sistema nervoso é submetido a níveis elevados de estresse, a fisiologia respiratória se altera, encurtando o fôlego e comprometendo a tomada de decisão.

A verdadeira mudança ocorre quando aliamos o discernimento intelectual da mente à regulação biológica do corpo através do Pranayama (o controle consciente da respiração) e do estímulo olfativo imediato.

Altar tradicional de Vedanta com a imagem de Swami Dayananda Sarasvati, flores e chamas de velas, representando a linhagem e o estudo da fundadora da Swaminah.

A Engenharia de Presença: Quando o conhecimento se funde com o cotidiano

Foi dessa síntese entre a vida na Europa, o estudo dos Vedas e a ciência da respiração que nasceu a Swaminah. Passar muito mais do que adornos superficiais; desenvolvemos instrumentos de Engenharia de Presença projetados para atuar como lembretes físicos de pausa e alinhamento do sistema nervoso no cotidiano urbano.

Hoje, não existe separação entre o caminho pessoal, o estudo filosófico, a gestão empresarial e a vida material. Tudo se integra em uma única existência vivida com clareza e responsabilidade sobre a própria trajetória.

O estudo contínuo de Vedanta sob a orientação do professor Jonas Masetti revelou que o aprendizado da mente requer, antes de tudo, estabilidade. Diante de uma mente historicamente ansiosa, agitada e sobrecarregada pelas flutuações do cotidiano, a meditação e a absorção dos textos sagrados parecem metas distantes.

Foi nessa busca que o Pranayama — a ciência milenar de regulação e gerenciamento da energia vital (Prana) através da respiração consciente — se apresentou como o primeiro degrau fundamental. Essa técnica tradicional acompanhou toda a minha trajetória na Europa, atuando como a ferramenta que aos poucos silenciou os pensamentos barulhentos para que eu pudesse receber, com discernimento e presença, o conhecimento dos Vedas.

A experiência de uma década de estudo e a consolidação do meu caminho como instrutora de Pranayama trouxeram um propósito claro: colocar-me a serviço de simplificar esse começo de história para outras pessoas. Foi exatamente dessa síntese que uni o conhecimento do controle respiratório ao estímulo imediato da aromaterapia, desenvolvendo nossas joias difusoras em Aço Cirúrgico 316L e Fio de Cortiça Original de Portugal. Nossos difusores pessoais não foram criados para vender fragrâncias, mas para atuar como ancoragens físicas de apoio ao fôlego e à presença de quem busca viver com mais inteireza.